Ficha Técnica:
Direção: Wim Wenders Roteiro: Wim Wenders e Takuma Takasaki
Gênero: Drama
Elenco Principal: Kōji Yakusho (Hirayama), Tokio Emoto (Takashi), Arisa Nakano (Niko), Aoi Yamada (Aya), Yumi Asō (Keiko), Sayuri Ishikawa (Mama), Tomokazu Miura (Tomoyama)
Duração: 123 minutos

De forma sucinta, o filme conta a história de Hirayama, um jovem senhor que trabalha como zelador de banheiros públicos na cidade de Tóquio. A vida de Hirayama é bastante modesta, porém vivida de forma contemplativa, mesmo com uma rotina bastante estruturada. Todavia, a simplicidade do viver de Hirayama ganha camadas mais complexas quando outras personagens da trama estabelecem reencontros com ele.  

Assisti este filme pela primeira vez recentemente, mas sei que precisarei assisti-lo de novo e de novo… 

A simplicidade com gradual complexidade que o filme apresenta, torna o processo de escrita desafiador. De imediato, pós sessão fílmica parece que todas as palavras serão jorradas aqui com absoluta fluidez, mas ocorre no meio desse tear a lembrança de cenas específicas, e a ideia inicial de escrita se dissipa, sobreposta a uma muralha de sentimentos. 

Mas, de forma alguma, quero ser o ponto de distanciamento entre o telespectador e esta obra prima, por isso digo que, sob meu olhar, carente de vivências e experiências orientais – das quais enriqueceriam minha visão – que o filme se desenrola em dois tempos, no primeiro momento, conhecemos quem Hirayama é através de sua rotina, e em um segundo momento, temos certa abertura sobre sua história por meio de seu encontro com outras pessoas. É como se a vida de Hirayama fosse sendo apresentada camada a camada, sem sobreposição de  relevância.  

De início, vemos a rotina de Hirayama milimetricamente estruturada, e ao me defrontar com a repetição própria de seu trabalho de grande importância, mas de pouca relevância social, por segundos, esqueci o título do filme, e pensei que o enredo cairia em um lugar comum, vigente nos dias atuais, de esgotamento e esvaziamento do ser, que culminam na exaustão do não existir. Mas não, Hirayama é um ser contemplativo, as interrupções do andamento do seu trabalho por pessoas que precisam usar o banheiro, não são compreendidas por ele como atraso, mas como uma pausa valiosa para poder observar a vida ao seu entorno acontecendo.  

Hirayama, mesmo vivendo sozinho, não se isola em si, nos emaranhados do próprio pensar, ele vive o agora, ele se mantém presente, zelando pelo padrão de qualidade do seu trabalho, exercitando diariamente a apreciação da vida e em constante movimento, que até parece ser natural, de enriquecimento próprio com músicas, literatura e contato com a natureza. 

Mas, é a medida em que o plano abre, e os raios de Sol invadem a casa de Hirayama, é que são revelados seus tesouros, o seu acervo de fitas k7, de livros e de fotografias autorais. Se de segunda a sexta Hirayama nos apresenta sua harmonia, são nos finais se semana que observamos como sua subjetividade riquíssima é orquestrada e alimentada. 

Entretanto, como disse anteriormente, é nos encontros com outras pessoas, especialmente com sua sobrinha e irmã, que fragmentos da história de Hirayama se revelam e de certo modo, abre-se a possibilidade da reflexão que, cada segundo de sua rotina simples, modesta e rica de viver foi construída de forma consciente, pela experiência de alguém que alcançou a conclusão que não há  nada mais valioso do que viver em paz, que nada é mais importante do que viver o hoje, que o maior poder da vida é saber quem se é e o que se quer, em essência, daí nasce ser pacífico que carrega em si o contentamento com tudo que tem. 

Apenas há uma quebra, no meu entendimento, da harmonia de viver de Hirayama, quando ele pensa ter perdido a possibilidade de manter seus sentimentos por Mama, dona do restaurante que ele frequenta aos finais de semana. 

E por instantes, a sombra do passado parece querer invadir o futuro, mas não, esclarecimentos são realizados pelo ex-marido de Mama, e a tensão se dissolve, mas talvez Hirayama diante da possibilidade de perda do amor de Mama, tenha sido empurrado para um lugar em que a coragem terá que se apresentar.  

One response to “Noite do Cinema – Dias Perfeitos (2023)”

  1. Coloquei na minha lista de próximos a ver 🙂

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